
Desejo permanecer,
Mas há um vão pelo qual escorro,
Uma ampulheta colocada fora do pedestal
E bem longe do altar
E que me arrasta,
Em fragmentos,
Lenta e suavemente,
Para o
Sempre.
O tempo não me melhora: corroi-me.
Enxergo menos nítido
E ando com menos pressa,
E aonde eu vou
Eu chego e já é passado.
O tempo não me refina: estorva-me e me torna um chato.
Confio menos na palavras
E na bondade eu creio com desconfiança.
Produto inacabado,
No ângulo do esquadro
Eu não me enquadro por inteiro.
Eu, efeito de sua perecibilidade,
Jamais vencerei a batalha dos
Imortais.
(Eliseu Galvão)
foto: o. guisoni